Dra. Ana Carolina

Quando se trata de corrimento vaginal, é crucial discernir entre o que é considerado normal e o que pode indicar uma condição alterada. Neste guia, vamos explorar os diferentes tipos de secreções vaginais e o que eles podem indicar em termos de saúde.

Corrimento Vaginal: O Que é Normal?

É comum que mulheres observem secreções vaginais ao longo de seus ciclos menstruais. Estas secreções desempenham um papel fundamental no funcionamento do sistema reprodutivo feminino, ajudando na limpeza e na proteção contra infecções.

Tipos de secreções vaginais (Classificações do Muco Cervical):

  • Seco

Quando não percebemos muco, ou apresentamos pouca umidade. Significa que a mulher não está no período fértil.

  • Pegajoso

Caracterizado por ser grudento, muitas vezes ele se parece com cola branca. Porém, ele pode apresentar ou não grumos, formar pequenas bolinhas, ser grudento e quebradiço.

*Pode não estar associado ao período fértil.

  • Cremoso

Se caracteriza pela cor branca. Ele pode ter uma textura densa, como um creme consistente, passando pela textura de uma loção hidratante, que pode ser mais fluido ou até ter aspecto leitoso, sendo mais aguado. Normalmente ele não é elástico e, ao separar os dois dedos, ele não forma um fio.

Esse tipo de muco aparece após o fim da menstruação, quando o nível de estrogênio começa a aumentar. A mulher pode estar mais próxima da ovulação.

  • Elástico transparente

Esse é o muco que muitas mulheres desejam observar, o clássico que se assemelha à clara de ovo. É transparente, escorregadio e elástico, muitas vezes considerado a representação de fertilidade.

Há uma variação desse muco, pouco comum: o muco aguado. Ele é como água, translúcido e líquido. Não forma um fio. É comum que ele deixe marcas em sua roupa íntima, como marcas redondas ou ovais.

  • Elástico Turvo

Também pode ser considerado um muco fértil, com a diferença de não ser transparente. Ao pegarmos esse muco com nossos dedos, ele forma um fio quando esticado. Geralmente vem acompanhado de uma sensação molhada ou de lubrificação.

Você sabia?

* Nem todas as mulheres apresentam corrimento vaginal do tipo muco elástico transparente. Principalmente após os 35-40 anos, em que geralmente há uma queda hormonal, a mulher poderá observar ciclos em que o período fértil pode ser representado por uma secreção ou muco cremoso.

Se você usa métodos contraceptivos que contêm hormônios, eles também interferem na quantidade e aspecto do conteúdo vaginal.

Outras Secreções Vaginais 

Além dos mucos, você pode observar outros tipos de secreções (conteúdo vaginal), mas que podem ser decorrentes de infecções bacterianas, virais ou por fungos.

Os principais sinais de alerta são cheiro forte, coceira ou ardência.

Alguns dos principais diagnósticos e características sugestivas:

  1. Candidíase

Infecção fúngica que pode se apresentar na forma de coceira vulvar e vaginal, ardência, vermelhidão

  1. Vaginose citolítica 

Ocorre devido crescimento exacerbado das nossas bactérias ‘’do bem’’, os Lactobacillus, que estão presentes na flora vaginal normal e os sintomas podem ser muito semelhantes à Candidíase.

  1. Vaginose Bacteriana

Causada por um crescimento excessivo bactérias “prejudiciais” como a Gardnerella Vaginalis, Mobiluncus, dentre outras, crescem em número excessivo e substituem os Lactobacillus da nossa flora vaginal normal, levando à Vaginose Bacteriana, que pode ser acompanhada de mau cheiro na vagina, dentre outros sintomas.

  1. Vaginite aeróbia

Caracterizada pela alteração da população normal de Lactobacillus, que apresenta bactérias aeróbias, gerando um processo inflamatório em intensidade variável.

Como fazer o diagnóstico da forma mais correta?

Você sabia que o diagnóstico do corrimento vaginal feito pelo exame físico ou pelo conjunto de queixas da paciente apresentam baixíssimo grau de confiabilidade? A chance de acerto pode girar em torno de 20 a 30%.

A melhor forma de fazer essa avaliação com mais chance de acertos no diagnóstico é avaliar a secreção vaginal pelo microscópio, exame que chamamos de Microscopia.

Uma pequena quantidade da secreção vaginal é coletada de maneira indolor, colocada em lâminas de vidro em contato com reagentes específicos e analisada ao microscópio.

Conclusão:

É importante entender que as secreções vaginais são uma parte natural do funcionamento do corpo feminino. No entanto, é essencial estar ciente das variações e buscar orientação médica se houver preocupações ou sintomas incomuns. Agende uma consulta com seu ginecologista para obter aconselhamento personalizado e esclarecer quaisquer dúvidas que possa ter.

Ficou com alguma dúvida? Agende uma consulta ou procure o seu ginecologista de confiança para ser avaliada ou esclarecer as suas dúvidas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

×